" Há umas ocasiões oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio."
Machado de Assis, Um Homem Célebre - Antologia de Contos, Cotovia
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Loja:Praça Machado Santos, nº 1 a 4
2560- 646 Torres Vedras
quarta-feira, agosto 31, 2005
sexta-feira, agosto 12, 2005
Manual de civilidade para meninas
"NO TEATRO
Não deixeis cair a mão nas calças do vosso vizinho de cadeira, para ver se o bailado lhe dá tesão.
Se notardes que certa bailarina tem o cabelo loiro e os sovacos negros, não pergunteis em voz alta porquê.
Não digais tão-pouco em clara voz: «É aquela morenaça alta que vai para a cama com o papá!» Mormente se a senhora vossa mãe vos acompanhar."
Um livro cheio de bons conselhos...
Pierre Louys, Manual de civilidade para meninas (ilustrado por Pedro Proença), Ed. Fenda
Não deixeis cair a mão nas calças do vosso vizinho de cadeira, para ver se o bailado lhe dá tesão.
Se notardes que certa bailarina tem o cabelo loiro e os sovacos negros, não pergunteis em voz alta porquê.
Não digais tão-pouco em clara voz: «É aquela morenaça alta que vai para a cama com o papá!» Mormente se a senhora vossa mãe vos acompanhar."
Um livro cheio de bons conselhos...
Pierre Louys, Manual de civilidade para meninas (ilustrado por Pedro Proença), Ed. Fenda
domingo, agosto 07, 2005
quinta-feira, agosto 04, 2005
Polifemo e outros poemas
"Em que plaino me perdi de andar
rasante colhendo íxias glicínias
pisando merda
para levar flores à tua cama?"
José Emílio-Nélson, Polifemo e outros poemas, I.N.C.M.
rasante colhendo íxias glicínias
pisando merda
para levar flores à tua cama?"
José Emílio-Nélson, Polifemo e outros poemas, I.N.C.M.
terça-feira, agosto 02, 2005
eu:seis inconferências
"Permitam-me cordialmente avisar, na abertura destas supostas conferências, que não tenho a mais remota intenção de me fazer passar por conferencista. Conferenciar é presumivelmente uma forma de ensino; e presumivelmente um professor é alguém que sabe. Eu nunca soube e continuo a não saber. O que sempre me fascinou não foi ensinar, mas aprender; e garanto-vos que se a aceitação da cadeira Charles Eliot Norton não se tivesse rapidamente misturado com a expectativa de aprender muito, eu estaria agora noutro lugar."
E.E.Cummings, eu:seis inconferências, Assírio & Alvim.
E.E.Cummings, eu:seis inconferências, Assírio & Alvim.
Agosto no meio dos livros
Agosto... Tudo mais lento e quieto. Algumas lojas em volta fecham para férias e caras que por aqui passavam todos os dias estão ausentes. Fala-se de praia, pernas bronzeadas e há quem pareça até transportar o doce cheiro do protector solar.
Agosto... Que estranho que é começar um parágrafo com reticências logo ao lado. Que reticentes estão as pessoas a entrar, quando tudo chama para a praia e a praia aqui tão perto. Ainda assim, resistentes, alguns emepnham o seu subsídio de férias na leitura.
Agosto... Nem novidades das editoras. Os vendedores todos a banhos no Algarve, os escritores de canetas recolhidas, os suplementos literários a fingir que não têm o que dizer. Envia-se um e-mail e a resposta vem, automática, a dizer que se está de férias. É Agosto, a gosto no meio dos livros.
Agosto... Que estranho que é começar um parágrafo com reticências logo ao lado. Que reticentes estão as pessoas a entrar, quando tudo chama para a praia e a praia aqui tão perto. Ainda assim, resistentes, alguns emepnham o seu subsídio de férias na leitura.
Agosto... Nem novidades das editoras. Os vendedores todos a banhos no Algarve, os escritores de canetas recolhidas, os suplementos literários a fingir que não têm o que dizer. Envia-se um e-mail e a resposta vem, automática, a dizer que se está de férias. É Agosto, a gosto no meio dos livros.
segunda-feira, agosto 01, 2005
Jerusalém
"-Estou a fazer um estudo, a recolher dados, a compilar informações, a tentar comparar números de várias fontes.
Mylia mais uma vez perguntara para quê aquilo, para quê de novo à volta dos livros com fotografias do horror.
-Se passas o dia a olhar para cadáveres habituas-te a desistir. És médico.
- Disparate! - respondia Theodor.
- Mas para que fazes isso? - insistiu, naquele momento, Mylia.
- Para entender - respondeu Theodor. - Ainda não percebi."
Gonçalo M.Tavares, Jerusalém, Ed. Caminho.
É o que eu ando a ler...
Mylia mais uma vez perguntara para quê aquilo, para quê de novo à volta dos livros com fotografias do horror.
-Se passas o dia a olhar para cadáveres habituas-te a desistir. És médico.
- Disparate! - respondia Theodor.
- Mas para que fazes isso? - insistiu, naquele momento, Mylia.
- Para entender - respondeu Theodor. - Ainda não percebi."
Gonçalo M.Tavares, Jerusalém, Ed. Caminho.
É o que eu ando a ler...
quinta-feira, julho 28, 2005
quarta-feira, julho 27, 2005
Os Anos Selvagens
"Hélène passeando pelo Brasil os seus belos olhos, a sua silhueta e os cabelos magníficos. «Amigos». Convidada várias vezes. Gente encantadora. Tive de arranjar uma cara impassível para disfarçar o enorme desagrado que todas aquelas afirmações me causavam. Não há nada de mais desagradável do que esgravatar-se no passado de alguém que se ama. E não existe nada pior do que não o fazer"
Jean Carriére, Os Anos Selvagens, nos livrodoutrosdias
Jean Carriére, Os Anos Selvagens, nos livrodoutrosdias
terça-feira, julho 26, 2005
anotação dos problemas
é que não basta a porta aberta. é mesmo preciso ter o livro certo.
problema 1
as pessoas que compram livros não trazem trocos, trazem notas. ao fim de poucas vendas, a caixa fica vazia de moedas e passamos a recorrer aos nossos bolsos. os livreiros têm trocos nos bolsos.
problema 2
porque nem toda a gente gosta de ler, mas toda a gente gosta de ter o livro certo nas mãos. se não for uma edição que está esgotada há muito tempo, que seja algo que tenha um suficiente número de páginas.
problema 3
amanhã, já não há. passas a tarde a olhar os livros nas prateleiras e a fazer contas de cabeça com aquilo que poderás gastar, ou não, amanhã. quando voltas, o livro já foi vendido.
problema 4
porque todos os problemas são resolúveis. esse sim, é o verdadeiro problema.
problema 1
as pessoas que compram livros não trazem trocos, trazem notas. ao fim de poucas vendas, a caixa fica vazia de moedas e passamos a recorrer aos nossos bolsos. os livreiros têm trocos nos bolsos.
problema 2
porque nem toda a gente gosta de ler, mas toda a gente gosta de ter o livro certo nas mãos. se não for uma edição que está esgotada há muito tempo, que seja algo que tenha um suficiente número de páginas.
problema 3
amanhã, já não há. passas a tarde a olhar os livros nas prateleiras e a fazer contas de cabeça com aquilo que poderás gastar, ou não, amanhã. quando voltas, o livro já foi vendido.
problema 4
porque todos os problemas são resolúveis. esse sim, é o verdadeiro problema.
segunda-feira, julho 25, 2005
A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer
" Faça o que fizer, poderis muito bem fazer outra coisa. Não é isso que importa. Importa é saber-se livre como qualquer outro elemento da criação. Importa é saber-se um fim autónomo, que repousa em si mesmo como uma perda sobre a areia."
Stig Dagerman, A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer, Fenda.
Stig Dagerman, A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer, Fenda.
sábado, julho 23, 2005
carta
Olá,
desculpa não ter escrito mais cedo mas estivemos sem internet uns dias, por um problema de ligação do sistema. trabalho não faltou. têm chegado livros todos os dias, o que nos faz ter sempre actividade um tanto frenética na loja, com caixotes e montes de livros para serem arrumados. no meio disto, tive tempo para ler dois pequenos livros deliciosos de que te vou falar um destes dias. ando cansado com o ritmo que as coisas tomaram nestas primeiras duas semanas, que para além da livraria implicaram uma viagem ao porto, a semana passada, e a partida para santiago de compostela, hoje ao fim da tarde.
Beijo.
desculpa não ter escrito mais cedo mas estivemos sem internet uns dias, por um problema de ligação do sistema. trabalho não faltou. têm chegado livros todos os dias, o que nos faz ter sempre actividade um tanto frenética na loja, com caixotes e montes de livros para serem arrumados. no meio disto, tive tempo para ler dois pequenos livros deliciosos de que te vou falar um destes dias. ando cansado com o ritmo que as coisas tomaram nestas primeiras duas semanas, que para além da livraria implicaram uma viagem ao porto, a semana passada, e a partida para santiago de compostela, hoje ao fim da tarde.
Beijo.
terça-feira, julho 19, 2005
Livrosdoutrosdias
Livrosdoutrosdias são os livros que já passaram por outras mãos, palavras inspecionadas por outros olhos, frases degustadas por outros lábios. São oportunidades de encontrar o livro que já não havia em mais lado nenhum, um exemplar igual ao que a mãe ou o pai tinham lá por casa quando éramos pequenos e ainda nos estava interdita a leitura dos grandes. São também uma maneira de ler qualquer coisa que outro alguém não quis guardar, e pela qual nós há tanto tempo ansiávamos.
Livrosdoutrosdias é ter tempo e faltar algum dinheiro. É abrir a carteira e ainda ter uns trocos para o café, mesmo quando se sai carregado de uma livraria. É perceber, pelas assinatura na primeira página, que este livro pertenceu a algum vizinho ou a alguma rapariga bonita que hoje se fez senhora. É encontrar o que, mesmo passado tanto tempo, ficou para ler. Livrosdoutrosdias.
Livrosdoutrosdias é ter tempo e faltar algum dinheiro. É abrir a carteira e ainda ter uns trocos para o café, mesmo quando se sai carregado de uma livraria. É perceber, pelas assinatura na primeira página, que este livro pertenceu a algum vizinho ou a alguma rapariga bonita que hoje se fez senhora. É encontrar o que, mesmo passado tanto tempo, ficou para ler. Livrosdoutrosdias.
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